Gabriela du Saint

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Lobomen em Plenitude (Ilustrado)

Em Sem categoria, dezembro 20, 2010 às 12:54 am

Dr. Lobomen me jogou para cima e me levou para passear pela orla da praia como se eu fosse um balão de criança.

Hora ou outra ele olhava para cima para ver se eu curtia aquela vista…

Lobomen, agora menos Doutor, desistiu de fingir e arrancou aquela camisa florida e gritou revoltado:

-Eu não uso camisas floridas!

Enquanto pisoteava a camisa, ele decidiu:

-Venha, vou te mostrar o que me faz feliz!

Chegamos em um lugar escuro, o qual tinha janelas sombrias que sombreavam mais janelas conforme a luz de fora se movia. Serviram-nos uma bebida escura em canecas de metal.

Lobomen, estava diferente, parecia leve. Mas minha cabeça ainda estava obesa. Mesmo assim, entre risos brindamos nossas canecas de Black Tirassarro!

-Este gole é para a humanidade! – Gritei antes de beber!

-Ah Garota… saiba que a seriedade é a gordura da mente!

Conforme bebíamos o tal Black Tirassaro, meus olhos pediam para dormir mas meu corpo quria ficar acordado. E meu corpo brigou com meus olhos:

-Ora, ora, ora… Pare de querer sonhar, não vê que já estamos no sonho?

Depois disso, meus olhos viram que era mesmo um sonho e então, tive medo de acordar:

-Eu não quero voltar para lá nunca mais!

Mas na verdade o meu não querer é que me leva de volta.

A única coisa que me tira de verdade de lá é a dúvida.

É como ter dúvidas na certeza e certeza nas dúvidas.

-Ai, como me livro deste peso mental?

É ilusão?

É real?

É! É! É! e É! Será mesmo que Tudo é?

Durante estas indagações e reclamações descabidas, Dr. Lobomen amarrou a corda no meio de minha cabeça de balão, e começou a espremer. Dentro dela comecei a sentir pequenos estouros e uma confusão, como se as coisas que tem lá dentro quisessem sair correndo… sabe quando o mundo parece estar acabando e as pessoas gritam: ‘Salve-se quem puder!’ Enquanto carregam coisas importantes de um lado para o outro do mundo sem direção?

Depois de alguns estouros…

-Está se sentindo melhor agora? – Ele me perguntou

Curiosamente eu estava! Sentia Paz!

Olhando pacificamente no fundo de meus olhos, Dr. Lobomen em seu maior momento de lucidez disse:

-Só encontramos a paz, se estamos no caos!

Ficamos um tempinho em silêncio. Até eu me angustiar denovo:

- Mas e agora doutor, como eu saio daqui?

- Quem foi que te colocou aqui, garotinha?

- Não sei, parece que de uma hora para outra me encontrei perdida!

Deu duas batidinhas em minha cabeça com a mão fechada, para checar se estava tudo normal:

-Tic-tec Menina-Esquilo! Consegue entender agora?

Blém!

-Ei, você ouviu um sino?

-Nah, isso não é sino! Este é o som  dos fogos de artifício que explodem o balão das boas intenções!

-Doutor, isso é plenitude! Será que é possível fazê-la durar mais?

-Esta já acabou! Mas esta que vem vindo vai durar só até a próxima pergunta!

Você está pronta?

Em respiração profunda entramos em uma Longa Pausa de Silêncio!

A Plenitude, que vi com meus olhos de esquilo, é assim:

Obesidade Mental

Em Sem categoria, dezembro 16, 2010 às 7:05 am

Saí da sala médica, revoltada, querendo nunca ter acordado daquele sonho delirante.

Eis que me surge a dúvida:

Será que acordei ou entrei em um sonho delirante? Desconfiei do Dr. Lobomen!

-Quero tirar esta história a limpo! – Eu me disse determinada.

Comecei a bufar de insatisfação enquanto andava de um lado para o outro do.. do.. daquele lugar que eu não faço a mínima idéia de como é.

Às vezes, parece uma cidadezinha perfeita com um jardim de gramas verdes e casinhas alinhadas, e às vezes é só um chão de concreto cinza em um fundo branco… Como se o cenário estivesse sendo construído ainda… Sabe?

Inconformada, eu me cansei de andar e sentei com cara emburrada em um banco, que surgiu do além, de frente para o prédio hospitalar, no qual eu podia observar qualquer movimentação suspeita…

Depois de muitas horas de impaciência, EIS que Dr. Lobomen sai alegre do hospital, agora vestindo uma camisa florida…

(Achei MUITO suspeito… com voz desconfiada)

Quando ele me viu, assustou:

-Menina! Você está gigante! O que aconteceu com você? – Ele desequilibrou com o susto e mostrou sua farça* medical.

-Ora Dr., qualquer um saberia dizer que sofro de Obesidade Mental!

Com os olhos apertados e fixos no Dr. cutuquei meu dedo indicador em seu peito Astral e intimidei:

-Como pode o Sr. não saber?

O Dr. apertou a boca para não deixar a dor do peito escapar. E engoliu de volta o ‘Ai’ que tentava sair.

Com a fala enrolada, Dr. Lobomen, tentou me explicar alguma coisa enquanto amarrava uma cordinha em meu pulso:

-Olha, ga-garotinha, v-venha comigo…

Sua cabeça tremelicava e ele piscava desgovernadamente cada olho de uma vez.

Isso foi interessante!

Ele começou a me puxar e olhava insistentemente para trás, enquanto tentava me tirar logo dali…

 

*Licença poética para Farsa

Lobomen, o Lobo Médico

Em Sem categoria, dezembro 12, 2010 às 2:03 am

gyah gyah gyah gyahgaaaaa…

Ruídos estranhos na minha orelha direita, tremeliques corporais, reverberações energéticas…

De olhos abertos na sala branca, corpo deitado em maca e braços amarrados, pulei sem me mexer. Virei minha cabeça para esquerda e vi se aproximar de mim, um Lobo vestido de Médico. Ele trajava um avental branco, e tinha aquela luz na testa. Ele vinha em minha direção com aquela postura pretensiosa e empinada dos médicos, que rapidamente controlava os lapsos de movimentos desleixados de desequilíbrio. Nos lapsos ele emitia os sons ‘gyah gyah gyah gyahgaaaaa…’ e retomava a postura firme.

Quando estava próximo, discursou impaciente uma análise científica do meu caso:

-Sejamos breves. Você deve querer saber aonde está e porquê. Você está no hospital de Saint e acaba de acordar de um sonho delirante.

-Sonho delirante? – Perguntei ao doutor – Você tem um Laudo que comprove?

Disfarsando a farsa de não ter um Laudo, o doutor imprimiu alguma coisa no pé da cama:

-Aqui está! Você sofre de Fé e Procrastinação!

Me desamarrou, entregou o Laudo, e me empurrando dali, disse:

-Vamos, pode continuar caminhando (e xispando daqui…- falou com o canto da boca quase sem som.)

Eu segurei o empurro, e disse:

-Espere um minutinho! O que eu faço com este laudo?

A resposta o atingiu exatamente no segundo de um lapso e ele respondeu com um dos olhos arregalados e o outro murcho. Tinha agora uma postura curva e mãos com luvas de borracha em movimento maligno:

- Ora, coma ele! gyah gyah gyah gyahgaaaaa…

Não exitei, amassei o Laudo e engoli. Ele se desdobrou no meu estômago.

Um pouco tonta e cansada, apoiei uma das mãos no ombro do Doutor olhei para o chão, levantei a cabeça e disse com cara de grogue:

-Sabe Sr…. (olhei no crachá o nome para ser mais íntima) Lobomen, quero te dizer algo sobre os homens se é que me permite!

Emiti estas palavras com som embaralhado:

-Os homens sopram um vento, que quando entram em nossos ouvidos giram formando um tufão. Sopram até que a sua pontinha inferior aguda fure o balão crescente das boas intenções e se exploda no ar como fogos de artifício…

Fazem isso, apenas pelo prazer de ver os pedacinhos de luz caírem no chão…

O doutor Lobomen, com a frieza de um médico me respondeu:

- Há tempos é sabido que a humanidade não presta pra nada!  Você que é cheia de bichos sonha delírios! Não me venha manipular com suas emoções mal resolvidas…

Achei que o Lobomen fosse um cara mau, até o dia em que vi, que por baixo do avental ele sofria por ter tatuado os Astros em seu peito.

Nas noites de Lua cheia, ele abre o peito de Astros e uiva para a Lua enchê-lo de loucura!

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