Desde a última apresentação com a Aranharranha ficamos todos paralisados por causa do arrepio, por muito tempo…
Fomos amolecendo lentamente, mas mantínhamos a dureza do arrepio congelado em partes variadas do corpo, que hora ou outra apresentavam defeitos de coerência.
Lobomen amolecido ficou perdido. Olhou para os lados, atrapalhado como sempre, e perguntou: Quem apagou as luzes?
Ninguém entendeu nada, só depois notamos que todo aquele tempo de congelamento arrepiado, fez crescer os pêlos de Lobomen, que agora apresentava uma face envelhecida coberta pelos cabelos compridos e mal ajeitados.
Enquanto eu reparava na mudança corporal de Lobomen, ouvi as pulgas de seus fios me contarem a seguinte história:
Os fios de cabelo se embaraçam a cada ventinho que cruza o seu caminho, uns se enrolam daqui, outros fazem nós ali. E você é nesse emaranhado de histórias malucas, apenas mais um fio no embolo destes chamados Nós.
São os Nós que formam as bolinhas de fios cruzados e encambalhotados em meio aos fios de começo alinhado. Mesmo que sejam de curvas paralelas, os cachos pendurados alegram os fios retos e pouco volumosos.
O pente insiste em encarar estes nós, repetindo perguntas que por vezes os afrouxam. Os fios que caem pelos ombros de Lobomen ficam felizes e seus antigos nós, grudam no pente em fila, como se fossem pulgas presidiárias de um camburão.
Os fios caídos no ombro, de vez em quando sentem falta da tensão das pulgas nozais em seus corpos. É por isso que, às vezes, quando o pente recolhe os nós, os fios, quase no final, escondem algumas pulgas e as deixam renozar ao longo do dia só para sentir o pulo do cacho na molagem de queda rumo ao ombro.
Os problemas desta vida, Menina-Esquilo, são pulgas mordisqueiras que movem o enrosco fiozal de ‘los enozados pré-libre mola cacheada’ de queda em ombros!