Agora, era a vez do Lobomen entrar em cena, fui vestida de pirata nesse encontro…
Antes de pisar no palco, pensei, cheia de adrenalina:
-Estou vivendo minhas fantasias empoeiradas, com a pressa do dia que termina antes da hora de ir para a cama!
Quando a cena começou, fiz chover sobre o Lobomen, de forma mágica e bela, balões cheios de boas intenções e muitos sonhos.
Em cena, demonstrando toda sua habilidade, ele fez questão de estourá-los com seus caninos. Outras vezes, ele usava aquelas velhas garras trêmulas de um louco desesperado, depois de lamber uma bancada de sanidade, e por fim, disse:
-Esquilinha, prefira os cacos de plástico extensíveis que salpicam no chão aos balões gordos de sonhos furados.
-Ele com traje de mágico, tirou de suas caixas uma caixa roxa enfeitada com estrelas prateadas, e puxou a tampa, e pediu para que eu olhasse lá dentro.
Como estava com tapa-olho cobrindo meu olho direito olhei cuidadosamente com o olho esquerdo, e vi la dentro uma a cena da preparação de uma luta: Esquilo x Caranguejo. Que acabou em 3 segundos com a mordiscada fatal das presas do Caranguejo na guela macia do Esquilo, o qual suspirou com voz afinada e numa bela dramatização o seguinte poema:
‘A Lágrima de V.N.D. nasce do engulo de uma decepção e do esforço que puxa do coração a força para um meio sorriso.
O lado da boca que sobe espreme o olho direito, que solta a lágrima
fazendo relaxar tanto a face quanto as costas em seu deslize.’
Cambaleando na beira da morte, o esquilinho deita e diz à plateia de olhos fechados:
‘Ó Morte, te aguardo prostrado neste chão de ringue.
Meus olhos fechados se lembram que depois de algumas noites mal dormidas os sonhos voltam a aparecer.’
E no seu último suspiro, morreu sorrindo.
Tantas camadas de histórias puxaram minha cabeça para trás, e me fizeram girar e ouvir todas as vozes que também queriam contar suas histórias…
E a cena se encerrou com o desfile de alguém carregando uma placa dizendo:
Viva lá para sobreviver aqui!