Gabriela: Ser-de-lá, o que é isso no seu peito?
Ser-de-lá: É o lá!
Gabriela: Ser-de-lá… você é do lá. E o lá? É seu também?
Ser-de-lá: Sim. O lá é meu, meu cá!
Gabriela: Com isso, me dizes que só podes ficar se cá estiver?
Ser-de-lá: Sim!
Gabriela: Então, traga cá! Sempre soube que Ser-de-lá não existiria sem um cá… E sempre soubestes que nunca gostei de metades! Prefiro flocos!
Ser-de-lá: E se lá não quiser ser cá?
Gabriela: Seja o Ser-de-cá, lá! O importante, é o Ser. (De-cá ou de-lá, de-lá ou de-cá, isso não importa!)
Ser: Du Saint, hoje as nuvens estão alegres!
Du Saint: Por quê? Elas te disseram?
Ser: Sim, porque brincavam de formar o céu! Vi que se escondiam atrás das árvores e depois começaram a contrastar com fios da cidade.
A cidade é tão feia, tem mais fios que árvores!
Ultimamente tenho achado tudo muito feio, tudo que é externo, que não provém da natureza por ela mesmo.
O homem invadiu de uma forma a surrupiar a beleza da estação, mas ainda assim existe a natureza viva, como as nuvens que hoje eram límpidas e tinha buracos azuis entre uma e outra!!
Du Saint: Se até as nuvens brincam de formar céu, por que não podemos brincar de fazer bolhas? Escuta esse sopro:
Sopro: Ninguém te disse? Que a insanidade é sã no mundo das bolinhas?
E que os cachorrinhos de pelúcia mordem cereais de chocolate?
A brincadeira de Saint é assim, é um jogo com regras confusas porém claras.
É um jogo com um líder invisível, que dita as palavras na mente dos que querem brincar.
É a liberdade que levada ao extremo se torna em prisão, em vício.
Contudo é o prazer, é um não pensar, é um agir, é o não esperar, é o jogar por jogar sem querer ganhar.
A vitória ou a derrota, (Que são a mesma coisa.)
Configuram o fim do jogo, e o jogo não pode ter fim. Se ele acabar, acaba-se o prazer.
Porque o jogo, é um impulso confiante e seguro, é um fluir conectado, é a morte gerando vida e a vida gerando morte.
É a alegria na tristeza e a tristeza na alegria.
É o um e o três se encontrando no dois. Tudo é duplo, oposto, complementar, concorrente, paralelo, relativo.
Tudo é tudo. Onde tudo é nada.
A voz nunca para de falar!
Quando ele disse isso eu quis entender, e logo quis não querer. E mais, vi e mudei o ver. Pois a única coisa que podemos mudar são os olhos. Porque os passos são os mesmos, o chão é o mesmo…
(Ai ai, como é limitado esse olhar de baixo! Estou pronta para subir, e ver lá de cima. Subir para além da linha do tempo. Subir tão alto que o espaço se torna um ponto. Esse é o meu plano!)
Ah! O ponto, a linha e o plano!
Du Saint: Ser, Sabe por que tudo faz tanto sentido? Porque a insanidade é sã no mundo das bolinhas!